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PRECONCEITO EU?

Fiz uma entrevista com o psiquiatra José Angelo Gaiarsa, que, aos 90 anos, acaba de lançar mais um livro: Lições de Amor para Sobreviver ao Casamento.

Doutor Gaiarsa dispara FRASES INTENSAS, que mexem com conceitos arraigados na nossa mente e na composição social. E, como passou meio século ouvindo pacientes em seu consultório, deve saber do que está falando. Ele é um especialista em família e educação. Quem puder lê-lo, vale a pena. No Youtube, tem trechos de entrevistas dele.

Aviso aos navegantes: NÃO ESTOU GANHANDO NADA PARA FALAR SOBRE ESTE LIVRO AQUI, ok? Li, gostei muito e quero compartilhar, porque é informação preciosa.

 

Trechos do livro

"As pessoas são péssimas em perceber diferenças e aprendem desde cedo a procurar semelhanças - que dão segurança."

"Você não prefere mandar em vez de negociar? Mandar parece mais fácil, não é? Porque nos foi ensinado e fomos duramente treinados a essa simplificação/adulteração da vida: um chefe e um bando obediente são muito mais fáceis de imaginar do que uma democracia - todos dando suas opiniões, não raro bem divergentes, mais o trabalho de tentar conciliar os pareceres e os desejos de todos. Coletivamente, nos comportamos como débeis mentais..."

"O único perigo real - natural - do mundo de hoje é o próprio homem, sua agressividade e megalomania. Afora essa nossa loucura, todos sabem que poderíamos viver hoje num paraíso aqui, na Terra. Então - e só então - poderemos saber o que é ser humano, quando formos capazes de oferecer aos que nascem condições ideais de desenvolvimento, proporcionando-lhes meios e instrumentos variados e permitindo-lhes grande liberdade de experimentar com um mínimo de restrições."

"A maior parte das pessoas comporta-se ou existe como os carrapatos, em um vida operosa, simplória, monótona, quase sem prazer nem gosto."

"(...) as pessoas vivem assustadas e encolhidas diante de um grande mundo cheio de surpresas e - conforme a visão da família - muito mais cheio de ameaças do que de promessas. Todos os "nãos" da infância são devidos a fantasmas e perigos, a maior parte deles imaginária."

"A natureza não gosta muito de variações - nem as mamães, nem os professores, nem as regras sociais. (...) Por isso, educar consiste em dizer não milhares de vezes, lembra-se? É para restringir os movimentos da criança até que ela caiba em nossos moldes restritos e restritivos, para fazer dela uma pessoa "NORMAL", tão presa, medrosa e frustrada quanto quase todos nós, os "adultos", "maduros" e "normais"."

"Os seres vivos dispõem de gigantescas antenas sensoriais, (...) capazes de captar 1001 sensações - calor, frio, aspereza, dor, prazer, contato, cores, formas, gostos, cheiros e muito mais. Mas nossos esquemas motores, pedagogicamente limitados, só nos permitem perceber, reconhecer, aceitar e responder a um número mínimo dessas sensações."

"Segurança acima de tudo! Acima de tudo e a qualquer preço - esse o mal, porque com isso se vão o amor e toda a possibilidade de transformação real dos costumes pessoais e sociais, de transformação de uma humanidade implacavelmente predadora de si mesma em uma humanidade não apenas orgulhosa, mas - enfim! - amorosa de si mesma."

"(...) pensar antes de falar em vez de ir soltando tudo que vem à cabeça. Porque tudo que vem facilmente à cabeça com certeza é preconceito, frase feita, dita sem consideração pelo momento nem pelos indivíduos que interagem."

"Sabe quais são os seus dois preconceitos mais fortes? 'Eu não tenho preconceitos.' 'Preconceitos são coisa de gente ignorante, grossa, quadrada, reacionária, conservadora, careta, babaca...' Melhor dizer, meu amigo: cada um (cada família, cada grupo) tem seus preconceitos. É mais verdadeiro, mais humilde, mais humano e mais desumano."

"Um grupo é mais seguro - mais forte - do que um indivíduo isolado (sempre a segurança em primeiro lugar!). E, desde sempre, se não é do meu grupo é suspeito, é perigoso, é mal-intencionado, é 'inimigo'. Mas é também surpresa, inovação e renovação - por isso é perigoso!"

"Se família é tão perfeita para formar (educar) pessoas, e se a maioria dos civilizados tem e formou-se em família, por que então o mundo continua - com o perdão da expressão - uma merda?"

"O primeiro passo para você, minha senhora, começar a se comunicar de verdade com seus filhos é esquecer essa encenação da Mãe que sabe e resolve tudo. Você já pensou quanto lhe custa essa 'glória'? Não pesa demais?"

"É patético ouvir mães - ou professores! - falando de tudo que fizeram de 'certo', com as melhores intenções e o máximo de sacrifícios, e, 'apesar de tudo', não conseguiram o que pretendiam; ocorreram consequências não só incompreensíveis (à luz do que a pessoa fez) como também contrárias ao que se esperava ou desejava. A conclusão é evidente: a culpa é da criança - ou do aluno!"

"(...) a eternização de comportamentos e pensamentos inerentes aos papéis e preconceitos tende a mumificar as relações pessoais e sociais, a formar uma estrutura dinâmica autossustentada à custa da infelicidade particular de todos"

"Em relação a pais ou mães brutais, impacientes, infelizes, esse esquema 'garante' impunidade diante de agressões monstruosas a crianças. E ninguém se mete "Porque pai é pai e sempre sabe o que faz". Sabe de quem é a culpa nesses casos tão tristemente frequentes? Eu poderia dizer que é sua também, mas prefiro dizer que é nossa, de todos, por vivermos papagaiando frases tolas e desconexas como se fossem verdades eternas e sagradas. Elas são, isso sim, os elos das correntes que nos mantêm escravizados."

"Por essas e outras razões, acabei concluindo: os seres humanos não brigam pela verdade nem pelo bem; os seres humanos precisam brigar porque são agressivos, e então qualquer diferença é boa para ser usada como pretexto, justificativa ou desculpa para agredir, principalmente quando apoiadas pelos costumes sociais."

"Afirmações que contadigam a declaração preconceituosa podem provocar reações sérias, até fuzilamento, fogueira, linchamentos, péssima fama, perseguições implacáveis e muito mais. O Sistema é implacável contra qualquer oponente."

"(...) repressão alcança, além do sexo e da agressão, tudo que é 'infantil', isto é, toda a alegria espontânea, a curiosidade e o entusiasmo, a disposição para brincar, cantar, dançar - amar."

"Em vez de criar crianças brincando e aprendendo com elas, nós transformamos a educação em um dever pesado demais, muito caro - e incrivelmente ineficiente!"

E por aí vai.

Obrigada, Gaiarsa! 


 



Escrito por vanessa.cabral às 14h23
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