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Escola pública não é de graça
 


REVOLUÇÃO NO DIA A DIA

Como a escola que meus filhos estudam vai até a quarta série, ano que vem, meu mais velho terá de ir para outra escola. Andei pesquisando na internet, em matérias de jornais, perguntando a amigos e, finalmente, fui visitar uma escola que andamos observando (de longe) há uns três anos. É a EMEF Desembargador Amorim Lima, em São Paulo, que fez uma revolução no sistema pedagógico e implantou há 9 anos uma nova didática, baseada em roteiros de pesquisa, uma releitura da escola da Ponte, em Portugal.

Sei que já esbravejei muito contra escolas que dizem seguir o modelo da Ponte. É que as particulares onde meus filhos estudaram não conseguiram traduzir para a realidade brasileira as sutilezas dessa brilhante experiência portuguesa. Ficaram na superficialidade da forma, apenas derrubaram as paredes das salas e não deram um salto adiante, não romperam com o padrão "professor discursando para alunos". Ficaram assim no meio do caminho e confundiram autonomia com bagunça e desorganização.

Pois me pareceu que a Amorim Lima (vejam só uma escola municipal) deu esse salto. Diz o pessoal de lá que muito apoiado pelos pais, pela comunidade. A escola fica no Butantã, lá pros lados da USP. E sobra vagas, porque não é todo pai que está disposto a investir nessa revolução pedagógica. O que dá para entender, claro.

Quem aposta, não quer saber mais da velha fórmula. Uma conhecida me enviou este vídeo sobre a escola, no link: http://www.dailymotion.com/video/xa5xdh_visitando-o-amorim_school

E também tem um site (o que não é comum nas escolas públicas), muitas matérias em jornais, revistas e TV. E vídeos no YouTube. Vale conhecer. 

Tenho amigas entusiastas da iniciativa, como também outras que desistiram e tiraram seus filhos de lá. Não é toda criança (ou família) que se adapta ao modelo.

Mas fico feliz com a possibilidade de escolha. E resolvemos apostar.

Por causa de detalhes que observamos na nossa visita. Sim, os detalhes são importantes. A maneira com que as alunas da sexta série, que nos mostraram a escola, se expressam. Os alunos eufóricos em sala de aula, vivos, e não tal qual múmias, fingindo-se de mortos, entediados em suas cadeiras, como é comum vermos em escolas tradicionais. Os roteiros de pesquisa organizados por temas inteligentes, que unificam os currículos das diversas matérias de cada série, e foram elaborados por um especialista pós-doutorando da USP. A biblioteca arrejada e aberta ao público nos fins de semana. O forno de pizza, a rampa de skate, a horta orgânica, que convidam a comunidade a entrar e tratar o espaço público como seu. A casa de índio, a aula de capoeira, as poesias pintadas na parede, expressões da cultura brasileira. Além da sinceridade no discurso da diretora, que não quis nos vender seu projeto. Mais que isso, ela relatou uma série de perrengues que passaram desde que resolveram implantar o novo modelo.

Fazer diferente dá um trabalhão danado.

Ok, preferimos correr o risco. Mais do que nos vestir de múmias e vivermos por aí sonâmbulos, sem tentar algo que nos pareça valer a pena.



Escrito por vanessa.cabral às 19h22
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