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Escola pública não é de graça
 


POEIRA E MAIS POEIRA...

Estão trocando o piso das salas da escola das crianças.

"Que maravilha, não?", exclamou uma das mães, na reunião de pais.

Sim, amiga, uma maravilha. Mas isso tinha que ser feito em pleno período de aula????

Não existe uma Secretaria de Obras com funcionários suficientes para planejar reformas nas escolas públicas?

Em qualquer instituição de ensino decente, reformas são feitas nas férias escolares. Na rede pública, dane-se se as crianças terão de circular em meio ao pó, sujeira, cheiro forte de produtos e toda aquela bagunça de obra. Pobre não tem problema respiratório, né? Pobre está acostumado com ambientes sujos, largados e mal acabados, né?

Que absurdo. Isso é uma total falta de respeito com os consumidores. Sim, não pagamos por esse serviço?

Jamais numa escola particular, professores e alunos seriam expostos a esse tipo de coisa.

Mas as mães, coitadinhas, ainda levantam as mãos para os céus e agradecem a Deus por estarem trocando o piso. Nem passa pela cabeça delas que têm direito a uma escola pronta e acabada, com toda a infraestrutura, com arquitetura adequada para a educação, bem decorada e limpa. Nem passa pela cabeça delas que, com a quantidade de impostos que descontam de seus salários, não faltam recursos para isso.

Sem contar a vergonha que são os pedreiros que estão lá tocando a obra: uns dois ou três gatos pingados, sem uniforme e equipamento adequados. Não parece nem de longe que são contratados pela Secretaria de Obras do Estado de São Paulo. Mais parece a obra de um puxadinho numa favela. 

E esses homens ficam lá, circulando pela escola, entre crianças de 6 a 11 anos. Que beleza de exemplo de postura profissional que estamos dando às nossas crianças, hein?

Sem contar que toda a escola está em obra há anos. E nada se conclui. Começam fazendo a entrada, param. Voltam fazendo o pátio, param. Continuam na escada, param. E os alunos lá, convivendo com esse caos. E as faxineiras tentando inutilmente deixar as dependências da escola limpas. E as professoras mudando suas turmas de sala, de lá para cá. Sinceramente, precisa ser engenheiro ou arquiteto ou administrador para enxergar que está tudo errado???

Vou às unidades do Sesc São Paulo - que também são mantidas por contribuição -, e me pergunto: por que conseguem oferecer instalações tão bem feitas, com infra total, organização e limpeza - fora a qualidade cultural da programação - e nas escolas públicas é sempre aquela zona, com construções inacabadas, que mais parece que estamos em guerra???

Falta de respeito, acho que é a resposta.

"É pra pobre, tanto faz" - parece que é assim que pensam os gestores públicos.


E aí visito o site do Colégio Bandeirantes, por exemplo, com toda aquela infra, e caio no choro.

Inevitável não lamentar a revoltante desigualdade que reina descaradamente neste país.

 

DILEMA BURGUÊS

Assumo que andei pensando em mudar meu filho mais velho, que entrará no Fundamental II ano que vem, para o Bandeirantes. Meu marido estudou lá, e eu, numa baita escola no Rio, com toda a estrutura possível. Eu sei a diferença que faz estudar (e viver) em ambientes bem construídos, próprios para a boa educação. Também fico pensando se não estou privando meus filhos desse direito, já que podemos pagar por isso. Ainda que com o resultado do nosso trabalho, já que não somos herdeiros de nada, mas poderíamos sim pagar.

Por outro lado, e as outras crianças? As que de fato precisam da rede pública de ensino? Não seria injusto com elas?

Uns amigos me mandaram parar de viajar, porque se eu educar bem os meus filhos já estou contribuindo e muito. Não, eu não acho. Não é justamente por causa dessa mentalidade individualista que chegamos a essa situação?

Não adianta pensar só nos meus filhos. Eles não vivem no mundo sozinhos. Ainda que tentemos, na sociedade contemporânea, repetir os modelos feudais e nos fechar em condomínios e guetos sociais, excluindo tudo e todos que não fazem parte do nosso círculo social, em algum momento somos obrigados a enfrentar a realidade aí fora. A pressão social cobra a conta pela nossa omissão. Aí não entendemos porque nosso filho foi morto, porque roubaram nosso carro, porque tanta violência a nossa volta. E não nos damos conta que a escolha da escola de nossos filhos, por exemplo, contribuiu para a realidade que temos - embora nos empenhemos em não enxergá-la.

Se os filhos dos políticos, como já comentaram aqui no blog, estudassem em escolas públicas, será que deixariam as construções em ruínas daquele jeito?

Lamentável a falta de visão e a omissão na qual estamos imersos. 

Sim, é nossa responsabilidade também. Minha e sua.

 

Exercício de democracia

Meu filho mais novo estava empolgado, ontem, procurando um livro bacana na estante do quarto dele, para levar para a escola. 

"É que hoje vai ter votação de história", justificou Ian.

Funciona assim: as crianças levam livros de histórias para serem lidos para toda a turma. Quando tem mais de um livro, a professora faz uma votação. A história mais votada, é lida por ela, para todos. Legal, não? Esse não é um excelente exercício de democracia?

Com isso, as crianças da segunda série estão aprendendo a:

1. Votar, fazer escolhas;

2. Aceitar a opção da maioria.

3. Compartilhar conhecimento.

Temos aí, com um exercício simples, uma chance de formar eleitores inteligentes.



Escrito por vanessa.cabral às 19h30
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