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Escola pública não é de graça
 


 

AUMENTA QUE ISSO AÍ É MPB!

Chico Buarque, Cartola, Milton Nascimento, Caetano Veloso... Meu caçula anda empolgadíssimo com a boa música que está aprendendo a cantar na escola. Faz parte do projeto Ler e Escrever: um livro com exercícios extras para reforçar o aprendizado. Simples, não? Ensina as crianças a ler com o melhor da MPB.

Parece bobagem, mas com isso alinhavam o ensino com a cultura: dar referências de alto nível, muito além do que se vê na televisão ou nas rádios pops pode ser a solução para diminuir o abismo cultural que enfrentamos no país.

Não consigo entender como os noticiários da TV podem estranhar, por exemplo, os tantos casos de bullying e perseguições à homossexuais se são os próprios canais de TV que veiculam programas que incentivam a violência e o preconceito. Sob a desculpa de que estão fazendo humor, não fazem nada além de bullying. O que é o Pânico na TV senão uma coletânea de bullyings? Depois as crianças passam a semana toda xingando os colegas da escola com o bordão: "Boiola", com a mesma entonação que repetem no programa.

E essas novelas? Só briga, grito e mau caratismo all the time.

Ah! A culpa é dos pais que deixam seus filhos assistir a esses programas. Em parte, sim.

Por outro lado, essas pessoas aí que hoje têm filhos também cresceram vendo a nossa TV baixaria. Nem sabem que aquilo é ruim - essa é a verdade.

Tanto que quando levantei esse assunto em uma reunião de pais na escola das crianças, muitas mães se mostraram contra: não acham nada demais que os filhos vejam Pânico, novelas e Big Brothers.

"Você é muito radical. O que que tem ver novela? Lá em casa todo mundo gosta", uma das mães defendeu.

Pois é: nada demais. Então por que será que os alunos da quarta série insistem em xingar os colegas de boiola, viado etc.

Esse levante contra homossexuais também é fruto de uma massificação, disfarçada de humor, em programas de entretenimento.

E quem pensa que o baixo nível cultural é coisa de escola pública está bem enganado. Vá lá no site do Colégio Sagrado Coração de Jesus, uma instituição de ensino particular de São Paulo: entre as fotos dos trabalhos de arte dos alunos, tem as capas de CDs feitas pela turma do sexto ano: na metade, dos meninos, tem fotos de jogos de guerra, com imagens violentas e armas pesadas; na outra, das meninas, tem mulheres em poses eróticas e seminuas, bem ao tom das beldades do funk ou do axé. Isso numa escola com esse nome, dirigida por uma entidade religiosa.

Não, não sou puritana. Mas, convenhamos: já que a proposta era fazer capas de CDs, por que não botaram essa turma para desenhar, cortar e colar, pintar???? Não, preferem limitar a imaginação e fazê-los repetir o padrão do mercado, com imagens que massacram na cabeça dos adolescentes diariamente.

E depois esperam que esses jovens sejam pacíficos, serenos e amorosos. Como?

O comportamento da garotada só repete as imagens que os hipnotizaram desde que nasceram.

E como educaremos crianças livres e de mentes abertas, se os pais também foram moldados nessa ode ao preconceito?

Aumentando o acesso a cultura: livros, filmes, exposições de arte, músicas INSPIRADORAS.

Obras que despertem o melhor do ser humano. Porque o pior de nós já está mais do que escancarado.

E a escola, pública ou privada, é um retrato desse quadro deplorável.

A saída: ALEGRIA! ALEGRIA! 

"Caminhando contra o vento, sem lenço e sem documento..."

É lindo ver as crianças da segunda série cantar a plenos pulmões.



Escrito por vanessa.cabral às 19h15
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